Em que momento de sua evolução a consciência tornar-se apta a abrir linhas de comunicação com o veículo físico?
Enquanto civilização (parece) que atingimos um patamar de conhecimento que nos habilita a entender os porquês do engendramento corpo/consciência, tendo em vista que as respostas a estes porquês estão (ao meu ver) diretamente relacionadas com um modus operandi repetitivo, calcado numa forma de reproduzir ações e reações, de maneira ainda visceral, tomando como base um sistema nervoso entérico (ao invés do encefálico), e suas repercussões de conforto psicossomático. Pois na maioria das situações nos queremos sentir aquilo que é conhecido, optando por um contato que ofereça um número menor de riscos. Parece que a consciência escapa pela tangente quando estes mecanismos de ação, estas formas de manifestação se apresentam, pois a consciência é o agora, é a experiência direta. Aos poucos estamos deixando pra trás a idéia de bem e mal, esta dualidade secular vai se distanciando do nosso convívio, vagarosamente, mas vai. Séculos de barganha religiosa e amedrontamento, castração de liberdade, insuflações em nome deste ou daquele.
A idéia de perder ou ganhar, ao contrário da anterior, permanece fortemente arraigada em nossa cultura, é fruto da escalada competitiva fomentada por ilusão de consumo, pensamento utilitarista, separatismo e até (porque não) postura extrativista.
Consumindo-se. Boa palavra para reflexão, consumidor. Do latim consumere.
E que relação tem a idéia perder/ganhar com a consciência?
Todas as relações, o resultado deste perde ganha reflete diretamente no corpo, e em sua função de receptor de consciência, por este motivo necessitamos induzir na dimensão corporal a experiência através de estados alterados. Estados alterados nada mais são do que ver através de uma perspectiva diferenciada, nova, aberta. Consciência não se ganha, nem se perde, pois quem tem consciência não a guarda para si, quem experimenta repetitivos estados alterados de consciência tem a possibilidade de conduzir-se à consciência. A consciência é inclusiva, expansiva, pacífica. Ser pacífico é ter convicção de que não há nada que possa ser perdido, e sim, que as expansões de consciência precisam ser treinadas, até que se possa achar o caminho em cada manifestação, em cada corpo, em cada consciência.
Aprender e apreender tem a mesma origem no latim, a palavra apprehendere, diante da experiência direta estes termos são bastante discutíveis, embora saibamos que referem-se a um apreender na memória, tomar posse do conhecimento. Parece que os próprios termos de nossa linguagem nos traem. Ou no mínimo nos colocam em posição de constrangimento, pois conhecimento não é algo que se possa ter, assim como um carro, uma gravata, ou uma coleção de discos dos Beatles. Conhecimento é algo vivo, orgânico, que passa, assim como o calor do sol sob a superfície terrestre.
Um comentário:
É isso aí,
gostei de ver !
Parabéns !
abraço,
continue... continue ...
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