Nos atendimentos de acupuntura e aulas de chi kung, tenho falado sobre a importância de reserva de espaço para uma prática diária, um momento para auto-diagnóstico, e das repercussões positivas advindas desta atitude.
Quero parabenizá-los pelos avanços, pelas ações positivas, que cada um dentro de suas possibilidades tem conseguido implementar, tendo em vista os contrafluxos cotidianos aos quais todos estamos expostos, as tendências a procrastinação, aquela velha zona de conforto conhecida nossa. Zona de conforto gerada internamente, atravancadora de atitudes pró-ativas, uma hecatombe de hábitos, engendrados (também) na mecânica corporal, nas introjeções psíquicas, sistemas de crenças e por aí vai.
O mesmo corpo, emoção e mente que é capaz de dar espaço a esta entropia toda (zona de conforto) é também o depositário de virtudes para superar esta condição. Cada dia é mais importante uma ação pessoal e organizada para trazer à tona estas virtudes.
Através da experiência direta (prática diária) dinamizamos, evidenciamos e acessamos nossa inteligência sensória. Esta capacidade é uma inteligência que está disponível para ser utilizada pelos sistemas corpo, emoção e mente. Da qual a maioria de nós credita somente aos grandes gurus, santos, ou grandes gênios. Esta capacidade de auto-gerenciamento é a ferramenta apropriada para acelerar, equilibrar, manter e entender o funcionamento pleno do conjunto corpo, emoção e mente. O descompasso do conjunto gera a desarmonia responsável pelo aparecimento de doenças, de efeito agudo ou cumulativo.
Somos um sistema vivo. É redundante dizer isso?
Sendo um sistema vivo prescindimos de ações que comtemplem a homeostase do sistema, a partir dele próprio, utilizando o que é produzido pelo próprio sistema.
E como dar conta do sistema sem conhece-lo?
Como sabe-lo, se não encontramos seu limiar de estabilidade?
Operar um sistema sem estar instruído a seu respeito?
E destas questões que tratamos em nosso treinamento, seja através de Acupuntura, Chi Kung ou estudos de I Ching, operar o sistema e extrair naturalmente o que ele tem de melhor, respeitando suas particularidades.
Ao desenvolver um mínimo de equanimidade na tríade (corpo, emoção e mente), atuamos, compreendemos e expandimos todos os níveis plausíveis. Este emparelhamento nos capacita a criar e manter níveis satisfatórios e pleno funcionamento. Nesta perpesctiva abandonamos a “sobrevivência” (reprodução de programas alheios) e passamos a habitar o universo dos “viventes”, aqueles que criam seus próprios programas em sintonia com a vida, com seus propósitos.
Enquanto “sobreviventes” apresentamo-nos carentes de energia, à busca por uma recarga, seja ela afetiva, física ou intelectual. E todos nós ainda necessitamos complementar algum destes aspectos, pois estamos em construção. Esta percepção é fundamental à medida que só podemos evoluir em grupo, coletivamente as coisas acontecem.
Conhecer-se está uma habilidade indispensável, numa atmosfera onde profundas transformações acontecem local e globalmente, de forma instantânea. O mar de informação e estímulos exigem do individuo, atenção e sensibilidade aguçadas, para que possa ele, indivíduo saber o que advém de seu próprio sistema e o que é induzido por sistemas externos.
Conhecer-se é flexibilizarmo-nos na perspectiva mais humana, corpo, emoção e mente mais afinados, compassados e sincromnizados. Isso exige um trabalho, que necessita ser conduzido dia-a-dia, construído cuidadosa e persistentemente.
Humanizar implica aos poucos desenvolver estados de consciência harmônicos e coerentes que casam com um nível primário de realidade. O nível primário é um processo criativo inerente a natureza humana, estado de equilíbrio factível, uma dimensão de ordem e harmonia. Sentimento de empatia com a vida e para a vida. Empatia a ser gerada por nós mesmos, sem lavagens cerebrais, sem discursos místicos, sem dogmas, sem castrações nem promessas de “céu”, ou “Eu te Curo”. Certamente nenhum de nós interessa-se em negar os avanços da ciência em qualquer que seja a area de conhecimento, seria um contracenso. Porém estamos interessados em participar da vida um pouco mais lúcidos, mais saudáveis e com “pelo menos” um mínimo de autonomia.
RESPIRAÇÃO:
A pessoa que deixa de prestar atenção a respiração, entrega de bandeja a sua capacidade criadora na mão do “acaso”. A própria bioquímica celular fica comprometida pela respiração curta e diafragmática. É natural que tenhamos dificuldade de nos concentrar, de abandonar uma postura inquietante e ansiosa, de comer compulsivamente, de um bom desempenho sexual, quando não respiramos harmônica e concientemente.
O estado emocional e a postura dependem da qualidade da ventilação.
Necessitamos encontrar prazer em respirar, primeiramente.
SÓ O PRAZER É CAPAZ DE CRIAR!
Ao dizer que há um espaço de criação, nutrição e expansão na exalação, quero apontar a nossa tendência a unilateralizar nossas experiências. Respiramos como se o ato ventilatório dependesse somente da inalação.
Já observaram isso?
Isso é “sobreviver”! (unilateralizar experiências através de uma interpretação usual)
Eu inalo e deixo que o corpo (pobre corpo) faça o resto por sua conta e risco.
Quando presto atenção a exalação, distribuo e canalizo a toxidade que necessito extrair da cavidade toráxica e do espaço abdominal. Quando realizo uma respiração completa (consciente) atento a todas as etapas, fortaleço as vísceras, distendo o tronco, produzo tranqüilidade em meus movimentos, emoções e pensamentos. Isto é plasticidade respiratória.
Bem, havia dito que falaria outros assuntos, porém ....
No momento de escrever resolvi por este caminho.
Veja bem.....
Dúvidas?
Abraços,
Edison Fontoura
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